‘Cavalinho, pirulito e fissura anal’: auxiliar de sala é suspeito de abusar crianças em creche de SC
Uma das crianças contou que um dos servidores, tratado pelos alunos como “professor”, a chamava para brincar de “cavalinho”, colocava-a no colo e dizia que “a amava muito”.
A cidade de Massaranduba, no Norte de Santa Catarina, enfrenta um caso delicado envolvendo denúncias de abuso em uma creche municipal. A Justiça determinou medidas protetivas de urgência para resguardar duas crianças de cinco anos, enquanto a Prefeitura anunciou o afastamento de servidores ligados à unidade.
A decisão judicial, assinada pela Vara Criminal de Guaramirim, foi baseada em relatos encaminhados ao Conselho Tutelar e às autoridades competentes. O documento determina a proibição de contato entre os investigados e as vítimas, seus familiares e testemunhas, além de fixar distância mínima entre eles. Também prevê o acompanhamento das famílias pela rede de proteção social, com apoio de CRAS e CREAS, e a possibilidade de transferência imediata das crianças para outra unidade escolar, se necessário.
O que motivou a decisão
Os relatos que chegaram às autoridades descrevem situações perturbadoras dentro da creche. Uma das crianças contou que um dos servidores, tratado pelos alunos como “professor”, a chamava para brincar de “cavalinho”, colocava-a no colo e dizia que “a amava muito”. Em outro momento, a menina mencionou uma “sala escura” onde os episódios aconteciam.
Um detalhe ainda mais grave foi relatado: segundo os autos, o servidor teria oferecido pirulitos às meninas como forma de convencê-las a se aproximar, reforçando a suspeita de que havia um padrão de aproximação e favorecimento para atrair a confiança das crianças.
Uma das vítimas, que possui diagnóstico de transtorno do espectro autista, relatou dores nas partes íntimas à mãe, o que levou a família a buscar atendimento médico. Exame médico apresentou achados compatíveis com a narrativa da criança. Já outra menina, em conversas com a mãe e conselheiras tutelares, descreveu as situações com detalhes que despertaram ainda mais preocupação.
Segundo consta na decisão, quando questionada pela família, a diretora da unidade teria repreendido uma das crianças, afirmando que ela estava mentindo. Esse episódio foi registrado como um agravante no processo, por supostamente desconsiderar o relato da vítima e fragilizar ainda mais a confiança dos pais.
Medidas administrativas da Prefeitura
Paralelamente às medidas judiciais, a Prefeitura de Massaranduba tomou providências administrativas. No dia 22 de agosto, foi publicada a exoneração, a pedido, da servidora que exercia a função de diretora do CEI Professora Vidalina Xavier. Em mensagem enviada a pais e responsáveis, a diretora comunicou sua saída alegando motivos pessoais e agradeceu a confiança da comunidade escolar.
Na mesma data, o prefeito Moacir Kasmirski assinou portaria instaurando sindicância para apurar supostas infrações atribuídas ao servidor. O documento determinou seu afastamento cautelar por 30 dias, sem prejuízo da remuneração, e nomeou uma comissão para conduzir a investigação interna, com prazo de 30 dias para conclusão.
Fiscalização e investigação
A decisão da Justiça reforça que o descumprimento das medidas protetivas pode gerar consequências criminais, inclusive prisão preventiva. A Polícia Militar foi designada para fiscalizar o cumprimento das ordens, inclusive em regime de plantão.
Até o momento, não há condenação. Tanto a diretora quanto o auxiliar aparecem como investigados no caso, que segue em apuração. A Prefeitura informou que acompanha o andamento das investigações e que garantirá o devido processo legal e a ampla defesa dos servidores.
Por envolver crianças, esta reportagem preserva dados sensíveis e informações que possam levar à sua identificação. O Jornal Razão segue acompanhando o caso e mantém espaço aberto para manifestações da Prefeitura de Massaranduba e das defesas dos investigados.
Via Jornal Razão





